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DA PALAVRA QUE O AMOR ESCONDE, E DO SEU CONTRÁRIO

 

Patativa Moog*

 

 

Na letra de “Mudança de comportamento”, composição de Edgard Scandurra (Ira!), há este refrão: “Eu morreria por você / na guerra ou na paz. / Eu morreria por você / sem saber como sou capaz.1” É poesia, discurso de poeta, idealismo romântico, para dizer o mínimo. No mundo real, sem a fantasia, vale o dito pascaliano – embora Pascal (1623-1662) tivesse outra intenção –:

Todos os homens procuram ser felizes; não há exceção. Por diferentes que sejam os meios que empregam, tendem todos a esse fim. O que leva uns a irem para a guerra e outros a não irem é esse mesmo desejo que está em todos, acompanhado de diferentes pontos de vista. A vontade nunca efetua a menor diligência, senão com esse objetivo. Esse é o motivo de todas as ações de todos os homens, até mesmo do que vão enforcar-se.2

Sem o recurso da licença poética (ou do idealismo romântico, ou teológico, etc.), não há ninguém, além de nós mesmos, por quem queiramos realmente viver ou morrer; e nisso, para bem viver, está em jogo a nossa felicidade, sua finalidade objetiva – quer nos pensemos vivos ou mortos. Para o “ninguém além de nós mesmos” não há mistério, nenhuma profundidade, nenhuma subjetividade. Todas as coisas vivas lutam para viver, sobreviver; é o egoísmo em sua forma mais pura e acabada, natural, porque necessário. É pensando em nós mesmos que dizemos pensar no outro, amando ou odiando. A ideia de amor – do viver ou morrer por ele, seja o amor que for – é somente uma máscara contra a realidade do nosso egoísmo necessário, nosso instinto de sobrevivência, nossas sensações. A pessoa religiosa que parece interessar-se pela outra, pelo destino eterno de sua alma ou sua situação miserável neste mundo, de modo altruísta, na realidade interessa-se única e verdadeiramente por si mesma; a outra (o outro) é somente um objeto para os seus próprios objetivos: a satisfação de um “dever cumprido”, a “paz de espírito”, a salvação eterna de sua própria alma, etc. Ambição. Recompensa.3

Antes de ser vitimado por um câncer em 15 de dezembro de 2011, Christopher Hitchens foi um dos ateus mais atuantes e influentes, defendendo teses que mostram a atual desnecessidade das religiões; existentes, no passado, por alguns motivos óbvios: o nosso medo infantil daquilo que é maior que nós, e externo (o mundo, o cosmos, o desconhecido, etc.), nosso medo da extinção do nosso Eu post mortem e a necessidade de alguma resposta à pergunta: “por que há alguma coisa ao invés do nada?” A resposta da fé foi, por muito tempo, mais importante que a resposta nenhuma. Nunca soubemos silenciar o pensamento inquiridor, a dúvida cortante, o espanto diante de… Daí nasceu a filosofia, daí vieram as religiões. Por um viés mais político, a religião também foi (ainda é) o instrumento para o surgimento de toda sorte de líderes autointitulados (ou intitulados por outros) representantes dos deuses entre nós, seus/nossos legítimos mediadores na terra, etc.

Ensaísta, crítico literário e jornalista, Hitchens era conhecido – juntamente com Richard Dawkins, Sam Harris e Daniel Dennett – como um dos quatro “cavaleiros do ateísmo”. Algumas teses de Hitchens têm bases antigas, apoiadas nos estudos naturalistas de Charles Darwin e no pseudo-agnosticismo de Thomas Henry Huxley4 (“pseudo” porque, embora seja assim que o próprio Huxley tenha definido a sua posição religiosa – aliás, o primeiro a fazê-lo, suas convicções são as mesmas de qualquer ateu confesso), bem como na grande crítica de Nietzsche à moral cristã e no materialismo histórico de Marx, Engels e outros5. Seu livro de 1995, The missionary position: Mother Teresa in theory and practice6, é baseado em um documentário produzido para a TV em 1994, e que, no Brasil, ganhou o título de Madre Teresa de Calcutá: anjo do inferno7, no qual é narrador. Madre Teresa foi, para Hitchens, uma “ladra anã e fanática”, uma “demagoga de extrema-direita”, uma fraude dissimulada. No seu “amor ao outro”, o que mais aparece é o amour de soi, amour-prope, amor-próprio. Embora a teoria do “gene egoísta” (the selfish gene) tenha sido divulgada por seu amigo Dawkins8, não há como não ver aí – e em todos os livros de Hitchens – a natural prevalência do Eu como agente primeiro e inevitável a qualquer causa que seja considerada boa ou má, conforme as normas culturais e/ou os juízos éticos consensuais, dentre outras áreas e análises que possam ser elencadas; a religiosa, no caso, sendo a principal.

Apesar da fama de crítico das religiões, nem Hitchens, nem Dawkins e nem qualquer outro “cavaleiro do ateísmo” foi tão frio e incisivo quanto o já mencionado Nietzsche – a quem o equivocado Urbano Zilles se refere, forçadamente, como um “cristão [em] potencial ou reprimido”9. Não mesmo! Eu digo.

Depois de ver Madre Teresa de Calcutá: anjo do inferno, o trecho abaixo – enorme, mas necessário, interessante e provocativo – fará ainda mais sentido, reforçando o que é dito por Hitchens, Dawkins, Harris e Dennet, referente ao nosso egoísmo inevitável:

253 – O egoísmo e seu problema! A tristeza cristã em La Rochefoucauld10 que o encontra em toda parte e julga com isso diminuir o valor das coisas e das virtudes! Procurei de início demonstrar contra ele que nada mais pode existir senão o egoísmo – que no homem, cujo ego se enfraquece e se ameniza, a força do grande amor se enfraquece também – que os grandes apaixonados o são por força de seu ego – que o amor é uma expressão do egoísmo, etc. O erro na avaliação visa na realidade o interesse: 1º. daqueles que é necessário servir, ajudar; do rebanho; 2º. contém uma suspeita pessimista na própria raiz da vida; 3º. procura negar os homens mais magníficos e mais realizados: medo; 4º. quer ajudar os vencidos a reivindicar seu direito contra os vencedores; 5º. acarreta uma deslealdade geral, até entre os melhores homens.

254 – Crítica do amor-próprio. – Ingenuidade involuntária de La Rochefoucauld, que acredita dizer algo de audacioso, livre e paradoxal – nessa época a “verdade” psicológica parecia surpreendente. Exemplo: “As grandes almas não são as que têm menos paixões e mais virtudes que as almas comuns, mas somente as que têm maiores desígnios.” É verdade que John Stuart Mill11 (que chamava Chamfort12 o La Rochefoucauld do século XVIII, mas mais nobre e mais filósofo) só vê nele o observador perspicaz de tudo o que na alma humana se reduz ao “amor-próprio habitual” e acrescenta: “Um espírito nobre jamais consentirá em se impor a necessidade de considerar de modo duradouro a vulgaridade e a baixeza, se for para mostrar contra quais influências nefastas a elevação do espírito e a nobreza do caráter podem prevalecer.”

255 – Nunca pensei em “deduzir” todas as virtudes do egoísmo. Gostaria de estar certo primeiramente que são “virtudes” e não formas temporárias que o instinto de conservação assume em certos rebanhos, em certas comunidades.

256 – Não pode haver ações não egoístas; as palavras “instinto altruísta” soam a meus ouvidos como “ferro de madeira”. Gostaria que se tentasse demonstrar a possibilidade de semelhantes atos. É o povo que acredita que existem, e todos aqueles que se assemelham ao povo; – é como se acreditássemos que o amor materno ou simplesmente o amor são sentimentos altruístas.

Acreditar que os povos sempre interpretaram no sentimento do egoísmo e do altruísmo o quadro do bem e do mal é um erro histórico. O bem e o mal como o “lícito” e o “ilícito” (conforme ou não ao “costume”) são muito mais antigos e universais.

257 – Os homens admiram e elogiam os atos de outro que parecem desinteressados de sua parte, contanto que esses atos sirvam a eles. (Desinteressados no sentido do desfrute ou da utilidade). Outrora se conferia ao desfrute e à utilidade13 um sentido muito vulgar e muito estreito; e todo aquele que fizesse uma coisa, por exemplo, para a glória, já era desinteressado na opinião dos homens grosseiros, da massa. É porque não viam os desfrutes mais delicados, porque muito maior era a estima no domínio do desinteresse. A falta de refinamento psicológico é a razão de muitos elogios e de admiração. Uma vez que a massa não tem paixão, admira a paixão, porque está ligada a sacrifícios e ignora a prudência; não podendo imaginar o desfrute que a paixão oferece, era negada. A multidão despreza tudo o que é habitual, fácil, pequeno.

258 – Como nascem o instinto, o gosto, a paixão? Esta sacrifica em proveito próprio outros instintos menos poderosos (outras necessidades de prazer); não é altruísmo. Um só instinto domina os outros, mesmo o pretenso instinto de conservação. O “heroísmo”, etc., não foram compreendidos como paixões, mas como eram muito úteis aos outros, eram considerados como superiores, mais nobres, diferentes, porque a maioria das outras paixões eram perigosas para os outros. Era uma visão bem limitada! Mesmo o heroísmo do patriotismo, da lealdade, da “verdade”, da pesquisa, etc., é extremamente perigoso para os outros – mas os homens são muito tolos para perceber isso. De outra forma, difamariam as virtudes altruístas, como a cobiça, a sensualidade, a crueldade, o gosto das conquistas, etc. Mas as primeiras, uma vez julgadas e sentidas como boas, aos poucos foram idealizadas, tornaram-se ideais. É assim que o trabalho, a pobreza, a usura, a pederastia foram desprezadas em certas épocas, idealizadas em outras.

259 – Que um homem não deseje certas coisas, não goste delas, nós lhe imputamos isso à baixeza e à vilania. O “altruísmo” é exatamente o contrário: consiste em amar certas coisas às quais sacrificamos outros instintos e sobre as quais a maioria dos outros homens não chegue até mesmo a pensar que possamos amá-las até esse ponto. Desse modo admitem o milagre do “altruísmo”.

260 – Os homens constataram com surpresa que alguns negligenciam seu próprio interesse (na paixão ou por gosto); ficaram cegos em proveito íntimo do orgulho, da emoção, etc., e consideraram esses homens primeiramente loucos, depois bons, no caso em que levassem vantagem da parte deles. Em seguida desenvolveram a crença de que esses atos são realizados propositadamente para seu bem. Ao elogiar essa espécie de homens e de ações, conseguimos fomentar outros atos análogos e gratuitos. O que exaltou o altruísmo até esse ponto foi o egoísmo daqueles que necessitam de ajuda e benefícios.

261 – O amor. – Olhem-nos a funda esse amor e essa compaixão feminina – o que há de mais egoísta? E quando as próprias mulheres sacrificam sua honra, sua virtude, a quem elas se sacrificam? Ao homem? Ou melhor, a uma necessidade desenfreada? São desejos igualmente egoístas, embora representem um benefício para outros e inspirem reconhecimento.

Em que medida semelhante superfetação de um único valor pode santificar todo o resto.

262 – Viver para os outros: passatempo infinitamente agradável para os homens intensamente egoístas (entre eles contamos aqueles que se torturam por escrúpulos morais).

263 – A compaixão, desperdício do sentimento, parasita prejudicial à saúde moral. “Só pode ser o dever, aumentar a soma dos males no mundo.” Toda vez que só fazemos o bem por compaixão, fazemos o bem para nós mesmos e não ao próximo. A compaixão não se baseia em máximas; a compaixão é um contágio.

264 – Crer que a história de todos os fenômenos morais se deixa simplificar, como julgou Schopenhauer, a ponto que a compaixão esteja na raiz de toda emoção moral conhecida – é um grau de absurdo e de ingenuidade onde só poderia chegar um pensador desprovido de todo senso histórico e que teria escapado de forma mais estanha dessa marcante escola histórica que os alemães fundaram, de Herder14 a Hegel.15

265 – O egoísmo não é um princípio, é só e unicamente fato.

266 – O egoísmo! Mas ninguém jamais perguntou de que tipo de ego se trata. Todos supõem involuntariamente que todo ego é igual a outro ego. Essas são as consequências da teoria servil do sufrágio universal e da “igualdade”.

267 – Não há egoísmo que se mantenha em si e que não invada os outros – portanto, esse egoísmo “permitido”, moralmente indiferente, de que se fala, não existe.

 “Sempre se desenvolve o próprio eu em detrimento do próximo” – “A vida subsiste sempre à custa de outra vida” – quem não compreende isso não deu ainda o primeiro passo na probidade para consigo mesmo.

268 – Retificação do conceito de “egoísmo” – Se compreendemos até que ponto o conceito de ‘indivíduo’ está errado, quando todo ser particular é justamente o processo inteiro em linha reta (não a herança desse processo, mas o próprio processo), então o ser particular adquire uma enorme importância. O instinto fala nele de modo preciso. Quando esse instinto se enfraquece, quando o indivíduo procura um valor no serviço de outrem, podemos concluir com toda segurança pela lassidão e degenerescência. O altruísmo dos sentimentos, se for profundo e sem trapaça, é um instinto que procura garantir-se pelo menos um valor secundário no serviço de outros egoísmos. Mas na maioria das vezes é apenas aparente, é um desvio destinado a conservar o sentimento próprio de nossa vida, de nosso valor.16

Cristãos católicos e/ou protestantes, notadamente os que utilizam as grandes mídias para a divulgação do que afirmam ser uma “mensagem cristã”, não encontram forma melhor de “venderem a fé que professam” senão explorando o que há de maior e melhor partilhado entre os homens: o medo, o egoísmo, a imediata satisfação do Eu. O que pedem de volta, mais que a fé ou a piedade, são os recursos que garantem que eles continuarem aí, aparecendo e rapinando os mesmos crentes miseráveis que, geralmente carentes de senso crítico, não percebem que são vítimas exatamente daquilo que também combatem, neles e nos outros: o medo, o egoísmo, o superexagerado amor ao Eu.

É claro que há diferenças entre o egoísmo valor moral (a autoestima, a vontade de receber o louvor alheio, etc.) e o egoísmo natural (o cuidado inconsciente do Eu que abraça, inclusive, a ideia do “valor moral”), sem o qual a vida não seria possível. O problema é que esses mesmos cristãos, crédulos e confiantes, não pensam sobre tais diferenças – como é comum de se fazer depois de abraçarem a fé que, dizem, é para além da razão17. E assim não atendem/atentam ao sapere aude! kantiano18, dentre outros desafios menores. Mas até mesmo isso, esse louvor da razão contra o sono que gera monstros, não é outra coisa senão uma cama grande e macia onde deitamos o nosso Eu, deixando que a vida siga o seu curso natural… até o inevitável fim.

1 SCANDURRA, Edgard. Mudança de comportamento. In: Ira!: o melhor do Ira!. São Paulo: WEA Music do Brasil, 1996. 1 disco sonoro. Faixa 3 (2 min 58 s).

2 Pens., VII, 425. PASCAL, Blaise. Pensamentos. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1998. p. 137. [Col. Os Pensadores]).

3 Cf. HIRSCHMAN, Albert O. As paixões e os interesses: argumentos políticos a favor do capitalismo antes do seu triunfo. Rio de Janeiro: Record, 2002.

4 Cf. HUXLEY, Thomas Henry. Escritos sobre ciência e religião. São Paulo: Editora UNESP, 2009. (Col. Pequenos Frascos).

5 Hitchens é conhecido por sua admiração a George Orwell, Thomas Paine e Thomas Jefferson, frequentemente citados em seus livros.

6 HITCHENS, Christopher. The missionary position: Mother Teresa in theory and practice. London: Verso, 1996. No livro, crítica feroz contra Madre Teresa, Hitchens a retratada como uma oportunista que, adotando um discurso político-religioso a favor da pobreza (um meio para a santificação), usa-a com propósitos pessoais, e financeiros.

7 Pode ser visto no YouTube, em: <http://www.youtube.com/watch?v=zjB1YlDE4ok> Acesso em: 10 out. 2012.

8 DAWKINS, Richard. O gene egoísta. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. The selfish gene foi publicado pela primeira vez em 1976.

9 “[Nietzsche] atacou o cristianismo com fanatismo. Serviu-se de certas formas do cristianismo histórico nas quais só via debilidade e mentira. Rejeitou a idéia de um Deus vingador. É difícil verificar até que ponto sua fúria anti-religiosa não oculta um cristão potencial ou reprimido.” (ZILLES, Urbano. Filosofia da Religião. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1991. p. 180 [Col. Filosofia]).

10 François La Rochefoucauld (1613-1680), escritor moralista francês.

11 John Stuart Mill (1806-1873), filósofo e economista inglês, divulgador do pensamento utilitarista.

12 Pseudônimo de Sébastien-Roch Nicolas (1740-1794), que foi poeta, jornalista, humorista e moralista francês.

13 Cabe exatamente ao conceito da moral cristã de Santo Agostinho (354-430), relacionado ao uti e frui, que, principalmente no De doctrina Christina, aparecem pormenorizados e definidos: “Fruir é aderir a alguma coisa por amor a ela própria. E usar é orientar o objeto de que se faz uso para obter o objeto ao qual se ama, caso tal objeto mereça ser amado” (De doc. christ., I, 4). Nas palavras de Lima Vaz: “Agostinho recorre à distinção frui-uti para estabelecer a distinção entre a dimensão teológica e a dimensão antropológica da doutrina cristã, a primeira compreendendo o mistério da SS. Trindade, os atributos de Deus e a Encarnação do Verbo, a segunda tendo por objeto a ordem da vida moral do homem, considerado na excelência de sua condição de criatura feita à imagem e semelhança de Deus. A ordem da vida moral é, pois, regida pela ordem do amor que se desdobra na esfera do uso como amor de si mesmo e dos outros segundo o reto modo e os graus correspondentes, e se eleva finalmente à esfera da fruição como amor de Deus, amado em si mesmo e por si mesmo.” (VAZ, Henrique Cláudio de Lima. Escritos de filosofia IV: introdução à ética filosófica. São Paulo: Loyola, 1999. p. 193).

14 Johann Gottfried Herder (1744-1803), escritor alemão.

15 Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), filósofo romântico-idealista alemão, combatido tanto por Kierkegaard como por Schopenhauer e Nietzsche.

16 NIETZSCHE, Friedrich. Vontade de Potência. São Paulo: Escala Editorial, 2010. p. 144-9. (Col. Grandes Obras do Pensamento Universal, 97).

17 “O cristianismo é o escândalo, e o que Kierkegaard pede com simplicidade é o terceiro sacrifício exigido por Inácio de Loyola, aquele com o qual Deus mais se delicia: ‘o sacrifício do Intelecto.’ Esse efeito do ‘salto’ é bizarro, mas não deve nos surpreender mais. Ele faz do absurdo o critério do outro mundo, enquanto não passa de um resíduo da experiência deste mundo. ‘Em seu fracasso’, diz Kierkegaard, ‘o crente encontra [como em Abraão] o seu triunfo’.” (CAMUS, Albert. O mito de Sísifo. Rio de Janeiro: Edições BestBolso, 2010. p. 47).

18Sapere aude! Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento.” (KANT, Immanuel. Resposta à pergunta: Que é “Esclarecimento”? [Aufklärung]. In: _____. Textos seletos. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2010. p. 63-64. [Col. Textos Filosóficos]). A expressão original, de onde Kant a extrai, encontra-se em Horácio (Quintus Horatius Flaccus, 65-8 a.C.), no Epistularum liber primus, livro 1, carta 2, verso 40.

Imagem: René Magritte – Os mistérios do horizonte

 

©

 

* Patativa Moog é escritor e professor doutor em Filosofia pela UFPB e doutor em Teologia pela PUC-RS. Mora na capital paraibana.

 

Revista Philipeia 

Ano VII 

ISSN: 2318-3101 

Verão 

Parahyba - Nordeste - Brasil 

América Latina

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